quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A discriminação contra autistas na esquerda, como isso pode levar muitos de nós a buscarem a direita e como prevenir isso

Descrição da imagem #PraCegoVer: Um semicírculo com vários prendedores de papel coloridos com carinhas felizes aparece no rodapé da imagem, quanto mais acima aparece um prendedor amarelo isolado sem expressão facial. Fim da descrição.

Aviso de conteúdo: Este artigo contém menções a capacitismo, discriminação e abusos verbais contra autistas. Leia-o apenas se tiver segurança de que não sofrerá gatilhos psicológicos.
Obs.: Este artigo não é antiesquerdista, nem é uma generalização de todas as pessoas neurotípicas de esquerda.

Algo infelizmente sistemático nas esquerdas hoje são a exclusão e invisibilização contra nós autistas e as nossas pautas.

São muito comuns nos meios progressistas, incluindo os radicais, o capacitismo contra nós, o baixo conhecimento sobre as pautas da neurodiversidade e a exigência sutil de fortes habilidades sociais para as pessoas se integrarem e permanecerem nos movimentos sociais e coletivos políticos.

Esse quadro de exclusão expõe muita gente da comunidade neurodiversa a um sério risco: o de serem cooptados pela direita, o que inclui tanto os candidatos que promovem assistencialismo a pessoas com deficiência quanto as ideologias individualistas liberais e ultraliberais.

Se você está entre as pessoas de esquerda que ainda não têm consciência desse problema, convido você a conhecê-lo mais a fundo neste artigo e, depois de se conscientizar sobre ele, levar o debate para dentro dos movimentos dos quais você participa.

A não inclusão da categoria autista entre as minorias amplamente defendidas pelas esquerdas

Descrição da imagem #PraCegoVer: Um círculo de figuras humanas de cartolina dando as mãos e formando um grupo, enquanto no lado esquerdo uma figura humana parecida de cor diferente aparece isolada, como se tivesse sido discriminada pelo círculo, e cabisbaixa. Fim da descrição.

O primeiro aspecto mais destacável do problema que aqui denuncio é a não inclusão do movimento autista e de suas pautas por parte da grande maioria da esquerda, pelo menos no Brasil.

Nessa metade do espectro político, fala-se muito da classe trabalhadora, da camada pobre da população, das mulheres, das pessoas racializadas, das LGBT+s, das minorias religiosas, dos refugiados e imigrantes de países pobres, e está-se começando a falar das pessoas com deficiência em geral - pelo menos as com deficiências físico-motora, auditiva, visual e/ou intelectual - e dos animais não humanos.

Mas ainda não se começou a falar com a devida frequência, nem mesmo como pertencentes à categoria das PCDs, dos autistas.

As nossas pautas, como o combate ao capacitismo, a derrubada do modelo médico do autismo em prol do modelo social, o enfrentamento à exclusão de autistas do mercado de trabalho, o controle dos estímulos sensoriais nos espaços públicos, a renda mínima para autistas e a compreensão e respeito às nossas limitações de socialização e compreensão de linguagem não verbal, quase nunca são debatidas pelos neurotípicos dos movimentos sociais - exceto mães, pais e irmãos de autistas.

O capacitismo e a exclusividade neurotípica nas reuniões, atividades, lazeres e confraternizações dos movimentos sociopolíticos

Pelo contrário, é muito comum ignorarem a nossa existência e nos relegarem de maneira generalizada àquele clássico estereótipo, o do menino branco de classe média que só vive em casa, na escola especial e nas terapias e não consegue se comunicar nem participar da vida pública.

Porque o que se vê - ou, pelo menos, o que eu presenciei em todas as vezes em que eu tentei participar de coletivos políticos de esquerda ou veg(etari)anos - é uma ordem social voltada exclusivamente para neurotípicos predominantemente extrovertidos.

As pessoas que entram nesses grupos são constantemente pressionadas, mesmo que de maneira sutil, a se socializar, a perceber de imediato (ou conhecer previamente) e entender plenamente todas as regras sociais implícitas, a se expressar da maneira mais clara e recheada de nuances não verbais possível, a entender fluentemente que mensagens a postura corporal, a expressão facial, os movimentos dos olhos, a entonação da voz, a gesticulação manual etc. dos outros estão transmitindo.

Ai daquela pessoa que violar alguma norma social por não tê-la percebido ou entendido, mesmo que tal violação passe longe de ser antiética e represente, no caso de uma crítica sincera, uma demanda válida e justa pelo aprimoramento do coletivo. Ela será duramente criticada, repreendida e maltratada, tendo suas dificuldades de compreensão normativa e comunicacional tratadas como desvio de caráter ou estupidez.

Ai também do autista que tem dificuldade de se expressar verbalmente, por motivos como o cansaço mental, a insegurança psicológica, o medo de reações negativas e a oscilação da capacidade de encadear as ideias e desenvolvê-las de maneira clara e concisa. Não será levado a sério, não terá suas colocações e sugestões devidamente consideradas e debatidas. Será tratado como cidadão de segunda classe.

E mesmo que consiga evitar violar o quase indecifrável código social presente nas reuniões e eventos sociais do coletivo e discursar relativamente bem, o autista - salvo se for um dos palestrantes - tende a ser escanteado e praticamente ignorado.

Afinal, suas dificuldades de comunicação e entrosamento em meio a um espaço de socialização intensiva o tornam, aos olhos dos neurotípicos, alguém de pouca expressividade, demasiadamente imaturo, com pouco ou nada a contribuir e aparente desinteresse em colaborar com os deveres muitas vezes silenciosamente exigidos.

Como tenderá a não conseguir fazer amizades, nem participar com a eficiência esperada em determinados trabalhos, nem estabelecer laços de companheirismo e fidelidade ali dentro, não será integrado, incluído, chamado - a não ser de maneira formal e fria - para as atuações do movimento.

Digo isso porque, em várias vezes, principalmente no meio vegano, eu passei por situações extremamente chatas nas quais comportamentos (que eu não sabia serem) autísticos meus foram criticados e condenados de maneira humilhante. E soube de pelo menos duas pessoas autistas que sofreram abusos verbais parecidos de determinados neurotípicos que se dizem de esquerda - uma delas me relatou o ocorrido e a outra eu presenciei sendo atacada em público no Twitter.

Isso sem falar que esses ambientes politizados são repletos de estímulos sensoriais que para nós autistas são fortemente nocivos. Muita gente falando ao mesmo tempo, megafones e carros de som emanando sons muito altos, música muito estridente que também incomoda nossa sensível audição, cheiros fortes de comida - principalmente carnes - e cigarro por todos os lados, luzes que às vezes estão além do que nossos olhos aguentam…

Tem-se ali um ambiente propício para nos sentirmos sobrecarregados, estressados e à beira de um meltdown ou shutdown. Se passamos mal por causa disso, ninguém saberá como nos socorrer e nos acolher.

Sem habilidades para lidar com autistas passando mal, os neurotípicos presentes poderão levar o autista em estado de sofrimento a outro ambiente não menos sensorialmente carregado e estressante, o que só vai piorar a situação.

E tem também a angustiante sensação de estar sob coação implícita do ambiente e das pessoas ao nosso redor para que nos socializemos, conversemos ativamente, falemos com muita clareza, participemos da alegria e combatividade daquele espaço, saibamos tudo o que esperam de nós etc., sob pena de humilhação e até expulsão.

Com isso, somos forçados a usar uma “máscara” de pessoa sociável e tentamos nos entrosar, fracassando desastrosamente e “conquistando” a antipatia, o distanciamento social, a rejeição ou a indiferença (quando o neurotípico não nos detesta mas também não quer se aproximar e ser nosso amigo) das pessoas daquele meio.

Essa situação, assim como os estímulos sensoriais excessivos, pode nos levar a um estado de exaustão, sobrecarga e até sofrimento intenso.

Em resumo, são ambientes capacitistas, demasiadamente hostis e excludentes à presença de autistas. Que pessoa neurodiversa ainda tem disposição de integrar, por exemplo, um partido, coletivo universitário ou movimento social organizado (exceto o próprio movimento autista) depois disso?

Como muitos autistas, depois de discriminados pela esquerda, são cooptados pela direita

Uma esquerda que não considera a existência da maioria dos autistas e impõe dolorosos obstáculos sensoriais e atitudinais à nossa participação em seus coletivos tende a não conquistar nem manter a convicção de muitos de nós.

Aqueles de nós que idealizavam as esquerdas como acolhedoras e inclusivas a todas as minorias e condicionavam sua fidelidade ideológica a uma participação ativa na transformação positiva da sociedade por meio de coletivos acabam se decepcionando duramente.

Com isso, boa parte da nossa população desiste dessa parcela do espectro político e busca outras que à primeira vista soem mais compatíveis com sua própria condição de vida, que os acolha.

É aí que encontram no liberalismo e no “libertarismo” de direita uma tendência político-ideológica supostamente mais confortável, acolhedora e reconhecedora de suas necessidades e sofrimentos.

Discriminados por correntes políticas voltadas para o progresso da coletividade, são convencidos por essas ideologias de que a “saída” seria defender a si mesmos, como indivíduos, de uma sociedade “naturalmente” cruel que é e “sempre” será opressora e discriminatória.

É algo muito parecido com o que ocorre com pessoas que, ao se depararem com vícios autoritários e atitudes de hipocrisia individual em grupos e ideologias considerados de esquerda, desistem desse campo ideológico e veem na direita uma alternativa aparentemente mais realista e menos hipócrita.

Adicionalmente, veem produtos necessários para o seu bem-estar, como stim toys, abafadores de som e games que tornam a vida solitária mais divertida, sendo disponibilizados pelo mercado. Descobrem o empreendedorismo ou os trabalhos de freelance home-office como saídas para o desemprego neurodiverso que os progressistas não estão lutando como deveriam para combater.

E tomam conhecimento de políticos liberais ou conservadores defendendo pautas que grande parte da esquerda tem deixado de lado em prol das pessoas com deficiência, mesmo que eles o façam de maneira assistencialista e patologizante.

Com isso, passam a acreditar que a saída para uma vida melhor e mais aceitadora da sua existência é pela direita. Ou seja, pelo individualismo, pela valorização do mercado e da iniciativa privada, pelo empreendedorismo que lhes dará condições de ter uma vida mais digna e confortável e pelos políticos que se opõem à esquerda.

No mais, creem ter encontrado na parcela individualista e capitalista da política tudo o que a esquerda até então lhes negou ou não ofereceu.

Por que aderir à direita não é uma saída real, mas sim uma nociva ilusão, para os autistas

Apesar das promessas de segurança e emancipação individuais por meio do trabalho capitalista, a direita nada mais tem a oferecer do que ilusões. Nunca será por meio dela que os autistas se libertarão do capacitismo, da discriminação e da normatividade neurotípica.

Essa suposta proteção esconde o fato de que a direita defende a conservação dessa ordem social excludente. A mesma na qual os preconceitos contra nós são manifestados impunemente, somos mantidos à margem do mercado de trabalho ou sofrendo exploração e abusos nas mãos dos poucos que nos empregam e a assistência médica e terapêutica permanecem sendo privilégios de uma pequena parcela de nós.

Uma evidência disso são as políticas que deputados, vereadores e senadores do lado direito do espectro político escolhem apoiar.

Quase nunca são de combate ao capacitismo, inclusão social com renda mínima, abrangência das necessidades autísticas no universo de tratamentos disponibilizados pelo SUS, obrigação legal para as empresas adaptarem suas estruturas e relações sociais para funcionários neurodiversos, incentivo ao modelo social do autismo, entre outras formas de emancipação e asseguramento de direitos.

O que vemos muito, ao invés, são atitudes como defender ou investir em centros terapêuticos focados em tratar os autistas como se fossem doentes; fomentar tratamentos que, ao invés de melhorar nossa qualidade de vida e bem-estar, tentam nos tornar mais próximos do “normal” neurotípico por meio da repressão de nossos comportamentos autísticos, como a ABA faz; estimular modelos de educação especial em detrimento da inclusiva etc.

Isso sem falar nos muitos casos em que seus discursos são direcionados apenas às pessoas que nos cercam, como nossas mães, pais e terapeutas, ao invés de nós próprios, nos tratando como objetos ou seres incapazes.

Afinal, a direita não visa um mundo sem opressões como a capacitista, no qual sejamos reconhecidos como iguais em dignidade e direitos.

Esse malefício se percebe também na crença de que o capitalismo pode ajudar a emancipar os autistas em um mundo dominado por neurotípicos.

Percebemos o quanto ela é uma completa ilusão quando nos lembramos de que, nesse mesmo mundo, apenas 20% dos adultos dessa população têm algum trabalho remunerado.

Meios de ganhar dinheiro que destoam do regime assalariado, como o empreendedorismo, a carreira de youtuber ou gamer profissional e trabalhos freelancers, requerem ótima situação financeira familiar prévia, anos de dedicação intensiva para começar a render bem, uma confortável rede de apoio e determinadas vocações e hiperfocos específicos, condições que poucos autistas possuem.

Ou seja, o sonho do indivíduo autista de se tornar bem-sucedido e não depender desse universo de empresas que não incluem neurodiversos com a devida plenitude só será alcançado por uma porcentagem muito reduzida de nós.

A grande maioria permanece relegada ao desemprego ou a trabalhos precários enquanto a direita conserva esse estado de coisas.

Com isso, eu posso dizer com segurança que os autistas de classe média que defendem o liberalismo e acham que vão se emancipar individualmente ficando ricos estão, na prática, ajudando a limitar as chances da parcela majoritária de melhorar de vida.

Além disso, ao não combater o status quo capacitista, discriminatório, desigual e concentrador de renda, tornam as coisas ainda mais difíceis para si próprios.

As atitudes e medidas que as esquerdas precisam tomar urgentemente para reverter a exclusão e endireitamento dos autistas

Descrição da imagem #PraCegoVer: Um desenho em computação gráfica de várias pessoas coloridas em cima de um cilindro branco largo que parece uma tampa de frasco. No canto direito do desenho, uma das pessoas acima do cilindro segura a mão de uma que está fora dele, para incluí-la no grupo em cima do objeto. Fim da descrição.

Diante desse perigo de muitos autistas discriminados pelos movimentos sociais e coletivos políticos aderirem à direita - e se darem muito mal lá - por ressentimento e por ilusão liberal, ressalto que é muito urgente que as esquerdas repensem e mudem a forma como estão nos tratando.

É preciso que os neurotípicos progressistas:

  • Em primeiro lugar, abram espaço para autistas ativistas falarem, ora online, ora nos espaços físicos utilizados pelo movimento/coletivo, sobre nossa luta, nossas reivindicações e o capacitismo dentro das esquerdas;
  • Se conscientizem sobre as nossas características, necessidades, sofrimentos, demandas e lutas políticas como minoria - e percebam que essa é a verdadeira “conscientização do autismo” que queremos para dias como o 2 de abril;
  • Reconheçam seus privilégios como pessoas tratadas pela sociedade como o “normal”, o padrão aceito de desenvolvimento e funcionamento cerebral, assim como o capacitismo que praticam no dia-a-dia e precisam desconstruir;
  • Aprendam a identificar pessoas com comportamentos autísticos e perceber, por meio da observação e de perguntas que não violem a privacidade, se elas são ou não autistas;
  • Conversem, com a devida disposição de ouvir, com aqueles dentre nós que estão dispostos a disseminar a bandeira da neurodiversidade e do anticapacitismo, de modo a conhecer melhor o que reivindicamos e declarar a solidariedade e a aliança das quais precisamos;
  • Após terem passado por essa conscientização, eduquem outros neurotípicos de seu movimento/coletivo sobre o capacitismo e como combatê-lo;
  • Adaptem seus espaços físicos e eventos para que futuros membros autistas se sintam realmente acolhidos, aceitos e incluídos;
  • Adotem medidas como disponibilizar a lista das regras sociais e organizacionais do grupo e o que os membros autistas podem fazer para não as violarem, repreender atitudes capacitistas por parte de membros neurotípicos e checar se cada membro novo ou pessoa interessada em aderir ao movimento é autista ou não;
  • Façam a devida intersecção entre os movimentos sociais já consolidados e o defensor da neurodiversidade - ex.: incluindo as pautas das mulheres autistas no feminismo e as das pessoas LGBT+s autistas no movimento LGBT+, considerando a situação de opressão dos trabalhadores e desempregados autistas.

Com essas atitudes, muitos autistas deixarão de ver os ambientes de esquerda como opressores e hostis contra eles. E cada vez menos de nós buscarão na direita individualista o que até hoje não encontraram nos movimentos sociopolíticos.

Conclusão

As esquerdas precisam perceber, à medida que fortalecemos o movimento autista, o quanto estão sendo capacitistas contra nós e, nesse contexto, tendo atitudes que se contradizem com seus próprios princípios éticos e políticos antiopressão.

Assim como já se combate os esquerdomachos, os LGBTfóbicos e os eurocêntricos, é mais que necessário se começar a enfrentar também as posturas de discriminação e preconceito contra autistas nos ambientes de reunião, organização e interação social progressistas.

Isso é essencial para que muitos de nós sejam salvos de ter uma imagem péssima e traumática das esquerdas e adotarem posturas conservadoras e individualistas que, no final das contas, prejudicam as condições de vida da maioria da população neurodiversa e podem se voltar contra eles mesmos.

Fica então a demanda para que a esquerda libertadora se torne ainda mais coerente e se desfaça de uma das suas contradições de atitude pública emancipatória X comportamento individual opressor menos percebidas da atualidade.

4 comentários:

  1. Apesar de não ter diagnóstico, acredito que sou neurodiversa, e me identifiquei muito com a postagem. Sou de esquerda, mas nunca consegui frequentar ambientes de esquerda, e não entendia bem o porquê. Existem comunidades de autistas de esquerda? Na verdade estava procurando por comunidades de autistas, pois as dificuldades que tenho enfrentado desde busca por diagnóstico, até questões para lidar com meu quotidiano.

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    1. Oi, Dandara, acredito que ainda não existam comunidade de autistas de esquerda no Brasil - exceto talvez algum grupo do Facebook ou Whatsapp. Comunidades mais gerais de autistas têm pessoas de todo o espectro político, incluindo infelizmente a direita conservadora.

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  2. Autistas não possuem um "padrão", exatamente. Quem não convive, imagina que o autismo é diretamente ligado com a capacidade cognitiva.

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    1. Pois é, Egle, muitos neurotípicos, incluindo muitos de esquerda, ainda acreditam no "autista padrão" que o artigo menciona.

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